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Evento apresenta soluções para reduzir consumo de água e energia elétrica

Aconteceu na manhã desta quinta-feira (27) o evento de Encerramento do Desafio Ciência, Tecnologia e Inovação – Aquaenova, competição que busca obter soluções inovadoras para problemas enfrentados pela comunidade e por empresas de Maringá. As três melhores, das cinco equipes classificadas para essa etapa final, foram premiadas.

Nesta edição do Desafio, que foi também a primeira realizada em Maringá, os estudantes deveriam apresentar soluções para reduzir o consumo e o desperdício de água e energia elétrica nas empresas. Na primeira fase do projeto, as equipes apresentaram apenas ideias de como fariam isso. Na segunda etapa, receberam capacitação sobre plano de negócios e os cinco melhores tiveram um mês para desenvolver o protótipo, que apresentaram hoje.

O primeiro trabalho apresentado foi da equipe JLL, que apresentou o software Abelwave. A equipe desenvolveu um sistema capaz de gerar, com base em cálculos matemáticos, uma previsão bem assertiva da quantidade necessária de energia elétrica que uma empresa precisará contratar junto à concessionária. O sistema tem aplicabilidade nas empresas que consomem muita eletricidade e que pagam multas por consumo abaixo ou acima do contratado. Esse trabalho ganhou a terceira colocação no Desafio, recebendo troféu e 10 horas de consultoria do Sebrae em qualquer área.

Em seguida, foi apresentado o projeto da JRI Bioenergia, que criou um protótipo inovador em biodigestão, para gerar energia elétrica a partir do lixo orgânico. Com isso, eles buscaram resolver dois problemas: a alta produção de lixo orgânico (e os problemas gerados ao meio ambiente, quando não tratado) e o custo elevado da energia elétrica. A partir do sistema que eles criaram, é possível gerar biogás, biofertilizante e também conseguir negociar no mercado de crédito de carbono, para obter a sustentabilidade do negócio. De acordo com o plano de negócios da empresa, com R$150 mil de investimento inicial seria possível fazer a empresa funcionar completamente e gerar energia com apenas 3% do lixo orgânico produzido na cidade de Maringá.

A equipe seguinte, Fergan, também desenvolveu um sistema de biodigestão e conquistou o segundo lugar na premiação. Eles ressaltaram, durante a apresentação, que a empresa deles ofereceria um sistema de biodigestor baseado em um modelo alemão, pouquíssimo usado no mundo e que traz bastante segurança no manuseio (já que os gases inflamáveis produzidos durante o processo podem trazer complicações, se houver falha). A premiação para a equipe foi um troféu para cada membro e 20 horas de consultoria no Sebrae.

Blutecno foi a quarta equipe a se apresentar e trouxe o protótipo de uma ferramenta que automatiza o processo de uso da água pluvial nas empresas e pode ser acessada até mesmo em dispositivos mobile. O projeto oferece diferentes serviços, desde o monitoramento do volume de água da cisterna até complexas atividades autômatas.

A última equipe foi também a ideia que mais agradou aos jurados, conquistando a primeira colocação e recebendo, além do troféu e das 30 horas de consultoria, 4 meses de incubação sem taxas na Incubadora Tecnológica de Maringá e R$3 mil. A equipe Pluvialli criou um sistema de bombeamento de água da chuva que não necessita de nenhum tipo de combustível para funcionar, que é barato e que pode evitar o uso de água potável em atividades que não necessitam de água tratada.

O Desafio foi realizado pelo Centro de Inovação de Maringá, Universidade Estadual de Maringá e pelo núcleo Maringá do programa Engenheiros sem Fronteiras. O projeto recebeu o apoio da Cocamar, CREA-PR, Feitep, Incubadora Tecnológica de Maringá, Sebrae, Senai e UniCesumar.

Palavra de quem participou

De acordo com o gerente-executivo do CIM, Leonardo Quintino, todas as equipes que se apresentaram têm condições de lançar os projetos no mercado, seja vendendo a ideia a alguma empresa ou abrindo uma organização própria. Para os participantes, o Desafio foi importante, pois os motivou a desenvolver soluções para problemas reais e que podem ser utilizadas na prática. Confira o depoimento de alguns participantes:

“Foi o desafio que me motivou a participar do concurso. Toda a carga de conhecimento que a gente tinha foi utilizada e tivemos buscar muito mais” – Ricardo Matsumura (Blutecno);

“Eu vi como uma oportunidade para fazer algo em que eu pudesse aplicar os conhecimentos de engenharia na prática, em especial na questão da inovação e que eu pudesse me desafiar para encontrar algo que tivesse valor prático na sociedade” – João Paulo Ciccheto (JRI Bioenergia);

“A gente sabia um pouco sobre biodigestão, mas para a gente construir alguma coisa, poder fornecer um produto físico para as pessoas verem, a gente precisou de um conhecimento a mais. A gente teve que se aprofundar, buscar metodologia, equipamento, controlar os gastos… então, essa questão, de ‘pegar’ o teórico e transformar em prático, foi algo que agregou muito em toda essa atividade” – Marcelo Carelli (Fergan);

“Todo desafio que você aborda, você cresce um pouco junto com ele. Todas as coisas que eu fiz – eu trabalhei realmente 10, 11 por dia quando estava chegando no final –, eu só descobri, fazendo. Então, o que você consegue fazer, você só descobre com novos desafios. Eu aprendi muito também com as capacitações e até vendo outras equipes. Isso agrega também muito na forma de pensar, não só na parte teórica, mas, por exemplo, ensina como se apresentar para o mercado” – Marcelo Mrtvi (JLL e Fergan);

“O que a gente quer é que as pessoas também façam o que está ao alcance delas e, se você pode ajudar o meio ambiente e ainda ter uma redução na sua conta de água, acho que é uma oportunidade muito interessante. Por isso a gente pensa, sim, em comercializar essa ideia” – Rodolffo Colombo (Pluvialli)

Confira as fotos do evento: